CAFÉ
As exportações brasileiras de café recuaram expressivamente no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os embarques somaram 8,465 milhões de sacas de 60 kg entre janeiro e março, uma queda de 21,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registradas 10,739 milhões de sacas. A receita cambial gerada foi de US$ 3,371 bilhões, 13,6% abaixo dos US$ 3,901 bilhões obtidos no primeiro trimestre de 2025.
A retomada da oferta deve começar a partir de abril, com a chegada dos cafés canéforas (robusta e conilon), e se intensificar no final de maio, quando entra em cena a colheita dos arábicas.
Portos defasados e geopolítica global agravam a situação
Além da entressafra, a infraestrutura portuária brasileira segue como um entrave estrutural. De acordo com Ferreira, centenas de contêineres estão retidos nos portos aguardando embarque, gerando prejuízos milionários aos exportadores em razão da defasagem da infraestrutura frente à expansão do agronegócio.
O cenário internacional também contribuiu para frear os embarques. As negociações comerciais com os Estados Unidos seguem sendo retomadas de forma gradual após a imposição de tarifas, em meio a incertezas sobre a política comercial americana. Paralelamente, os conflitos no Oriente Médio complicaram rotas pelo Estreito de Ormuz, elevando fretes e seguros marítimos e desestimulando importadores.
Alemanha lidera destinos; EUA recuam quase 50%
A Alemanha manteve a liderança entre os destinos das exportações brasileiras de café no primeiro trimestre, com a compra de 1,192 milhão de sacas. 14,1% do total, embora 15,6% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 936.617 sacas, mas sofreram queda acentuada de 48,3%, refletindo o impacto direto das tensões tarifárias.
Itália (885.162 sacas, +10,2%), Bélgica (527.456 sacas, +4,5%) e Japão (440.085 sacas, -35%) completam os cinco principais compradores.
Arábica domina, mas perde participação
O café arábica seguiu como o tipo mais exportado, com 6,712 milhões de sacas, 79,3% do total, apesar da retração de 25,8% na comparação anual. O café solúvel, com 963.168 sacas e leve queda de 1,5%, respondeu por 11,4% dos embarques. Já os cafés canéforas (conilon e robusta) registraram alta de 11%, totalizando 780.911 sacas e representando 9,2% do volume exportado.
Arábica domina, mas perde participação
O café arábica seguiu como o tipo mais exportado, com 6,712 milhões de sacas, 79,3% do total, apesar da retração de 25,8% na comparação anual. O café solúvel, com 963.168 sacas e leve queda de 1,5%, respondeu por 11,4% dos embarques. Já os cafés canéforas (conilon e robusta) registraram alta de 11%, totalizando 780.911 sacas e representando 9,2% do volume exportado.
Os cafés diferenciados, com qualidade superior, certificações sustentáveis ou denominação de especiais, responderam por 19,1% das exportações totais no primeiro trimestre, com 1,618 milhão de sacas. O volume, porém, foi 42,7% menor do que o do mesmo período de 2025. A receita gerada por esse segmento foi de US$ 730,751 milhões, a um preço médio de US$ 451,56 por saca, valor 37,7% inferior ao registrado no primeiro trimestre do ano anterior.
O Porto de Santos foi responsável por 75,7% de todo o café exportado pelo Brasil no trimestre, com 6,409 milhões de sacas. O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 20,3% dos embarques (1,716 milhão de sacas), enquanto o Porto de Paranaguá, no Paraná, participou com 108.293 sacas, equivalente a 1,3% do total.
FONTE: AGRO EM CAMPO