INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Um brasileiro está por trás de um avanço muito importante para o uso de inteligência artificial diretamente no computador, sem depender de internet ou serviços em nuvem. Alessandro “Cabelo” Faria, membro da comunidade openSUSE e Intel Innovator, liderou o trabalho que tornou possível usar a NPU (Unidade de Processamento Neural) dos processadores Intel Core Ultra de forma nativa no openSUSE Linux.
O que isso significa? Na prática, notebooks e desktops compatíveis agora podem rodar tarefas de inteligência artificial localmente, com mais eficiência energética e sem precisar de conexão com a internet.
O suporte chega por meio do pacote linux-npu-driver, disponibilizado oficialmente em formato RPM para as versões openSUSE Tumbleweed, Slowroll e Leap. Com ele instalado, o sistema reconhece e ativa a NPU presente nesses processadores.
A NPU é um tipo de acelerador dedicado a tarefas de IA, como reconhecimento de imagem, visão computacional e execução de modelos de linguagem.
Ela trabalha junto com a CPU e a GPU, mas consumindo menos energia e gerando menos calor, algo essencial especialmente em notebooks.
Mais acesso a IA
Segundo Alessandro Faria, o objetivo é ampliar o acesso à inteligência artificial de forma prática e inclusiva.
“Sem o driver, a NPU simplesmente não existe para o sistema. Agora o openSUSE passa a aproveitar um recurso que já está dentro do processador, permitindo que a IA rode direto no PC do usuário”, explica.
Além do driver, outro passo importante foi tornar o OpenVINO, kit de ferramentas de IA da Intel, compatível com o openSUSE.
O OpenVINO é usado para otimizar e executar modelos de inteligência artificial em diferentes tipos de hardware, incluindo agora a NPU.
Com isso, desenvolvedores e usuários podem criar e rodar aplicações de IA localmente, inclusive modelos generativos e de visão computacional, com mais desempenho e menor consumo de energia.
A iniciativa reforça o conceito de “AI PC”, computadores preparados para executar inteligência artificial no próprio dispositivo, e mostra a força da comunidade de código aberto no Brasil, que ajuda a levar tecnologias avançadas a mais pessoas.
Como isso afeta o agro?
O agronegócio brasileiro ainda enfrenta um grande gargalo quando o assunto é conectividade no campo. Dados do Indicador de Conectividade Rural (ICR), da ConectarAGRO, mostram que apenas 33,9% da área agrícola do Brasil tem cobertura de internet móvel 4G ou 5G, o que significa que a maior parte do território produtivo ainda opera com acesso limitado ou inexistente à rede.
Mesmo dentro das propriedades, a conexão não é garantida: só 48,1% dos imóveis rurais contam com cobertura 4G/5G em toda a sua área produtiva, deixando lavouras, pastagens e áreas de manejo muitas vezes desconectadas.
Esse cenário dificulta o uso de tecnologias que dependem de nuvem e comunicação em tempo real, travando a digitalização plena do agro brasileiro.
Outros levantamentos mostram que a cobertura de internet 4G/5G em áreas agrícolas ainda é baixa em muitas regiões, com grandes diferenças regionais. Por exemplo, em algumas áreas produtivas o índice de conectividade chega a menos de 35%.
Essa realidade dificulta o uso de tecnologias que dependem de comunicação constante com a nuvem, como monitoramento remoto de sensores, drones ou plataformas que analisam dados em tempo real.
Vantagem no campo
Nesse cenário, a capacidade de rodar inteligência artificial diretamente no computador, sem depender de internet, oferece uma vantagem competitiva importante para o campo.
Com recursos de IA local ativados por hardware, produtores podem utilizar ferramentas de análise de imagens, reconhecimento de padrões, previsão de safras e outras aplicações sem depender de redes móveis ou banda larga no meio da lavoura.
A médio-longo prazo, isso certamente tornará a tecnologia mais acessível e irá ampliar a adoção de soluções digitais mesmo em regiões onde a conectividade ainda é um desafio.
Por: Fábio Palaveri | Fonte: Portal Visão Agro – com informações da Intel
