BRASIL
O setor bioenergético brasileiro entra em 2026 com um ritmo de transformações aprofundado por políticas públicas recentes, expansão de investimentos e diversificação de rotas tecnológicas que vão além dos biocombustíveis tradicionais. A despeito de desafios operacionais e regulatórios, as perspectivas permanecem positivas para o agronegócio, para o mercado de combustíveis renováveis e para a estratégia nacional de descarbonização.
O etanol segue como protagonista da bioenergia nacional. A produção tradicional à base de cana-de-açúcar permanece robusta, e a expectativa é de crescimento na safra 2026/27, com projeções indicando um aumento significativo da produção total após um ciclo recente menos produtivo.
Paralelamente, o etanol de milho deixou de ser apenas tendência para se consolidar como pilar estratégico na matriz energética renovável brasileira. Investimentos em novas plantas industriais vêm ganhando escala: projetos em estados como Mato Grosso, Goiás e Bahia devem elevar em milhões de litros a capacidade instalada até o fim do ano reforçando o papel desse biocombustível na segurança energética e no abastecimento contínuo ao longo de todas as safras.
Biodiesel cresce, mas cronograma desafia previsões
O consumo de biodiesel deve seguir em alta em 2026, com projeções apontando crescimento de mais de 6% na comparação com 2025, impulsionado pela demanda interna e pelo aumento progressivo das misturas obrigatórias no diesel.
A Lei do Combustível do Futuro, que prevê aumentos graduais do percentual de biodiesel no diesel rodoviário, estabeleceu metas que ainda enfrentam desafios técnicos para serem implementadas dentro do cronograma previsto, gerando expectativas e cautelas por parte da indústria.
Biogás, Biometano e SAF
Além de álcool combustível e biodiesel, novas rotas bioenergéticas ganham força. O biogás e o biometano avançam como opções estratégicas para diversificação da matriz energética, reduzindo emissões e agregando valor à cadeia de resíduos agrícolas e industriais.
Outro destaque é o desenvolvimento dos combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). Esses biocombustíveis para aviação, que já estão sendo alvo de financiamentos e parcerias entre setor público e privado, representam uma peça-chave para reduzir a pegada de carbono de um dos setores mais difíceis de descarbonizar, com incentivos que ligam crédito verde e compromissos de uso pelos operadores aéreos.
Sustentabilidade competitiva
Tecnologias que aumentem eficiência produtiva e aproveitem subprodutos como o bagaço e a palha da cana-de-açúcar são temas emergentes de pesquisa e investimento, com impactos diretos na produtividade por hectare e na redução de custos. A bioenergia, nesse contexto, é cada vez mais vista não apenas como combustível, mas como vetor de descarbonização, geração de valor e competitividade global da agroindústria brasileira.
O Brasil conta com uma base histórica sólida em bioenergia e um arcabouço regulatório que tende a dar previsibilidade ao setor, criando um ambiente favorável para investimentos domésticos e internacionais. No entanto, desafios logísticos, como infraestrutura de transporte e armazenagem, e a necessidade de segurança regulatória continuam no radar das empresas e entidades setoriais.
Em outras palavras, 2026 se anuncia como um ano de consolidação e expansão para a bioenergia brasileira: entre avanços estruturais, maior diversidade de biocombustíveis e um foco estratégico em sustentabilidade, o país busca reforçar sua posição de liderança global em soluções de baixo carbono.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro | com informações da SCA Brasil e AGFeed
